Carreira X Filhos | 24/03/06
Na semana passada, iniciamos uma discussão sobre licença-maternidade. O assunto é polêmico, principalmente se levarmos em conta que cada mulher encara a maternidade e a carreira de forma diferente e única. Mãe de três filhos, a senadora Patrícia Gomes propõe a ampliação da licença-maternidade para seis meses, pois entende que a proximidade entre mãe e filho nesse período é importante para o aleitamentoe para desenvolvimento mental e emocional da criança. Para isso, conta, inclusive, com o apoio da Sociedade Brasileira de Pediatria .
A jornalista Simone Pompeo, mãe de Pedro, hoje com três anos, concorda com a proposta. “Se eu tivesse tido seis meses de licença-maternidade, teria sido mais tranqüilo. Pode parecer um exagero para quem se afasta do emprego, porém para um bebê dois meses fazem muita diferença no seu desenvolvimento”, diz. Além de não ser fácil deixar o recém-nascido em casa para retomar o ritmo de trabalho, a volta pressupõe uma série de preparativos e rotinas para a mulher. “De uma hora para outra ter que romper uma relação tão intensa é muito complicado. Tem, ainda, a questão da amamentação e da babá”, conta a veterinária Anee Valéria Stachissini.
Mãe de Marília, hoje com um ano, Anee Valéria passou cinco meses tirando leite no trabalho e teve que contar com apoio familiar quando sua babá abandonou o emprego sem aviso prévio. Simone visitou creches e comandou um batalhão de entrevistas até ter certeza de que o filho Pedro estaria em boas mãos durante a sua ausência. “Só consegui optar entre creche e babá depois que visitei algumas escolinhas. Fiz contato com três agências de empregadas e contratei a babá depois de umas 12 entrevistas com pessoas diferentes. No final dos quatro meses e meio, eu e o Pedro estávamos nos dando bem com a babá. Como confiava nela, pude voltar ao trabalho tranqüila”, diz.
Para a advogada Gabriela Asprino, o prazo de licença já existente é suficiente. A mãe de Beatriz, hoje com dois anos, permaneceu somente 14 dias afastada do trabalho. Prestes a dar a luz ao seu segundo filho, ela não pretende agir de forma diferente agora. “Acredito ser um despautério este aumento no tempo da licença-maternidade. Primeiro, porque a Previdência não tem condições de arcar com mais dois meses deste benefício; depois, por não ser necessário”, diz Gabriela. Para voltar ao trabalho quase em tempo recorde, ela fez somente ajustes na sua rotina de trabalho. “Eu achei ótimo trabalhar em regime flexível, pois, como profissional autônoma, pude continuar a par dos assuntos do escritório e também amamentar minha filha até os cinco meses”, conta. Gabriela lembra que “já existe uma grande discriminação em virtude desta benesse dada à mulher. Este projeto de lei somente irá aumentá-la”.
Em onze anos de atuação, a Fesa Global Recruters, empresa de executive search, nunca enfrentou problemas pra recomendar uma mulher para posições de alta gestão por causa desse fator. Para as executivas, entretanto, pode ser mais difícil desligar-se do trabalho. “Quando você tem responsabilidade direta no resultado de um negócio, pesa mais a decisão de passar mais tempo longe do escritório. Seis meses seria o ideal, mas pode ser incompatível para o negócio”, diz a consultoria, vice-presidente e sócia da Fesa, Aline Zimermann. Embora seja uma boa alternativa, o regime flexível de trabalho ainda não é uma realidade. “Esta ainda não é uma prática comum no mercado corporativo. Em algumas empresas, as áreas de Recursos Humanos já estudam essa possibilidade. Estamos ainda na fase embrionária”, avisa Aline.
Para a jornalista Simone, a resistência em relação à licença ampliada “deve-se ao medo de ser substituída, deixada de lado em projetos importantes, de atrasar a carreira”. A jornalista Rosa Vanzella explica que “esse medo bate mais forte durante a primeira gravidez”. Ela superou o problema tendo uma conversa franca com o chefe. “Pai de dois filhos, ele me disse, com todas as letras, que o momento era meu com a minha filha. Meu lugar estaria lá, quando eu voltasse. Sai muito mais tranqüila”, conta. Ela reforça que este é um direito da mulher, e a legislação existe para protegê-la.
Durante a licença-maternidade, a tecnologia é uma aliada da mulher, permitindo que ela se mantenha atualizada sobre o negócio. “A mulher executiva não se desliga totalmente do trabalho. Mas é possível manter-se atualizada do que acontece, sem prejudicar o bebê”, diz a consultoria da Fesa, Aline Zimermann. Para Rosa, que também manteve contato com o chefe e com colegas de trabalho, o melhor conselho pra a futura mamãe é mudar o raciocínio. “Desligue da neurose, faça uma pausa e aproveite esse momento com o seu filho”, diz a jornalista.
As principais dicas são:
- Se preciso, tenha uma conversa franca com o seu chefe.
- Programe a sua saída. Quando bem-feito, não há prejuízo nem para o bebê nem para o negócio.
- Capacite a sua equipe e deixe o time preparado para suportar a sua ausência.
- Planeje a sua volta – como será a sua rotina e a do bebê durante a sua ausência.
O blog A Família Cresceu trará na próxima matéria sobre licença-maternidade todos os direitos previstos pela lei para as gestantes. Fique ligada!
Bjo,
Tatiane
Comentários
Sou a favor de licença flexível.... bjs
Enviado por: joyce | March 27, 2006 05:42 PM
Eu prefiro combinar os dois: 6 meses + regime flexível.
Enviado por: Daisy | March 27, 2006 07:10 PM